Faz tempo que não escrevo nada por aqui. De fato, andei bastante ocupado. Escrevendo para a Feira do Livro, trabalhos de aula e alguns freelas andaram ocupando boa parte do meu tempo.
Porém, sempre há momentos em que a vida prevalece além do trabalho. Seja um livro, uma conversa, um encontro ou uma festa (ih, rimou), "tudo vale a pena se a alma não é pequena".
Também é época de gastar muito na Feira. Fora dela também. Acabei comprando dois livros: "Os Tropeiros - diário da marcha", do Zé Hamílton Ribeiro, falando sobre a grande reportagem do Globo Rural; e "Criaturas Flamejantes", do Nick Tosches, contando o início da história do rock'n'roll. Vale a pena.
Porém... a minha última aquisição foi a melhor: "Praticamente Inofensiva", do Douglas Adams. É o último livro da série "O Guia do Mochileiro das Galáxias" - expoente da literatura nerd!!! Portanto, não esperem novos posts até acabar esta semana (e estes livros).
- Parece que tá tudo convergindo para que eu não vá com vocês.
- Eu sabia. Tu não vai.
- Olha só o tempo... Tá chovendo.
- Tu não vai...
- E eu tenho aula hoje.
- Não adianta. Eu sei que tu não vai.
- Olha só como eu tou vestido! E ainda tou com barba por fazer!
- Onde a gente vai ninguém repara nisso. Tu não vai...
- E onde é que eu vou largar a minha pasta lá.
- Não interessa. Eu sei que tu não vai.
- E neste sábado eu tenho que acordar cedo. Vou trabalhar...
- Eu vou preparando a Zezé. Ela fica tri chateada quando certas pessoas prometem que vão nas festas e depois não vão.
- Se eu conseguir que a van me largue lá perto, eu vou. Senão, não.
- Aham. A van vai ser a tua desculpa para não ir.
Este diálogo aconteceu na manhã de uma sexta-feira. Mal cheguei no serviço e já fui intimado a sair. De fato, eu não estava a fim mesmo. Queria o aconchego da minha cama mesmo, sem agitação. Mas diante dos apelos da Mari e da Zezé, cedi.
Fui pra Unisinos. Antes de ir para o estacionamento das micros, dei uma passada no banheiro. Olhando no espelho, qualquer semelhança entre eu e Rufus o Lenhador era mera coincidência. E odeio me sentir assim. Mas vamos lá. Tou precisando fazer algo diferente.
Consegui carona com uma outra micro, que me deixou próximo do meu destino. Chegando lá, a Mari e mais uma moça, a Michele, estavam a esperando - um problema no serviço impediu que a Zezé chegasse antes da gente. Buenas, a solução foi ir até um boteco alí perto esperar. Quando ela chegou, voltamos para o apartamento.
Eram três mulheres, e eu alí. Ou seja: pagando vale de amigo gay. Não? Ora, se você está em uma festa, e vê um cara chegando com três mulheres, o que você pensa? Que o cara tá fazendo o serviço nas três? Bem capaz! É o amigo baitola que foi junto com as gurias se divertir. Mas não vamos entrar neste mérito...
Onde eu estava? Ah sim, no apartamento com três gurias. Extremamente bonitas, por sinal. E acabei por assistir como mulheres solteiras se preparam para uma festa. Não só isso, como todos os papos entre elas, como se eu não estivesse alí. Enfim, uma experiência significante. O que elas conversavam? Ora... não revelarei nestas mal-digitadas linhas.
De lá, fomos para o lugar da festa. E aí eu posso dizer que, apesar de estar num lugar hostil (para mim), me diverti bastante. Não consegui evitar o fedor de cigarro que fica impregnado na roupa, mas evitei as inúmeras tentativas de porre a qual me sucediam.
E aí eu percebo que certas coisas não mudam. Eu vou continuar sempre o caretão que não bebe e que considera uma idiotice a pessoa tomar um porre, passar mal e achar que isso é diversão. Vou continuar sendo o cara que faz muita merda sóbrio mesmo - sem se arrepender depois. E vou continuar sendo o bestão que não chega nas gurias numa festa porque não está bebendo.
Fraco é aquele que muda seu jeito de ser por causa das circunstâncias, sem se importar com o resto.
Let it be...
P.S.: Um agradecimento especial para as meninas que tentaram me integrar na sociedade moderna, mas acho que não estou preparado para ela, ou ela não está preparada para mim.
Calma... não pensem que eu desisti deste blog aqui. Na verdade, eu e mais um grupo de amigos e colegas de profissão decidimos criar um blog onde podemos discutir sobre as aflições da profissão do jornalismo. A Confraria do Jornalismo pode ser acessado na relação de links alí do lado. Agora falta criar um template decente pra bagaça.
Foi mais ou menos assim: numa destas viagens da Unisinos para casa, Ane Meira e eu discutíamos sobre futilidades...
- Eu passei uma vergonha desgraçada no trem dia desses. Uma guria tri bonitinha começou a puxar assunto, e ela me conhecia, mas eu não me lembrava dela!
- Hahahaha!
- Eu tenho um sério problema de não me lembrar das pessoas. Eu não consigo guardar a fisionomia delas, ou o nome da criatura. Mas a voz sim.
- Como assim?
- Eu me lembro mais da voz das pessoas do que do resto. Aliás, eu tenho uma teoria sobre isso...
- Sobre a voz?
- Sim. A primeira coisa que eu observo em uma pessoa é a voz. A segunda são os olhos. Quando a pessoa tem a voz suave como um veludo, ou quando ela é harmônica, pode ter certeza que é uma boa pessoa. As pessoas que falam meio gritado, ou com muita ênfase nas vogais, principalmente o "A", eu ja desconfio; fico com um pé atrás.
- Nossa! Pior que é verdade
- Da mesma forma os olhos. Eu desconfio de toas as pessoas cujos olhos não consigo enxergar a parte branca. Quando eles são muito redondos também. Claro que há as exceções. Tenho uma amiga que tem os olhos pequenos, e eu não consigo enxergar o branco deles. Mas eles não são redondos, são puxados. E ela é uma boa pessoa. Uma coisa anula a outra.
- Piero, o que tu andou fumando pra formular estas teorias? Hahaha!!!
- Eu sou abstêmio, hehehe. É por isso que eu digo que eu só me aproximo de gente que tem a voz suave ou harmônica, de olhos grandes, expressivos e puxados.
- Quanta bobagem pra uma segunda-feira! Hahahaha!
- Isso rende um post. Uma hora eu escrevo.
E escrevi.
E isso não é nada perto das coisas que saem na volta da Unisinos.
E então, durante um intervalo entre a aula de Jornalismo On-Line, a Andréia me procurou com uma proposta indecorosa: palestrar em um evento promovido pelo Diretório Acadêmico de Comunicação. Logo o D.A., vítima constante das minhas detonações por aí. Mas a administração era outra, e a proposta do evento era interessante - uma troca de experiências de alunos veteranos com os calouros, para mostrar para as criaturas aonde estão se metendo. Topei.
Mas algumas coisas passaram a me afligir: 1) Quem iria num evento onde o palestrante é um aluno, e não um profissional? 2) Eu nunca falei em público por mais de cinco minutos sem ter uma síncope. 3) O que eu vou falar pra eles? Logicamente a Déia me deixou mais "tranquilo" ao afirmar que eu seria o ÚNICO palestrante, que seriam DUAS palestras - em dias diferentes, e que eu teria que falar por MAIS DE UMA HORA.
O tema, "Desconstruindo o mundinho fashion da mídia", saiu do Unisinos Repórter. Até então tinha o vídeo pra exibir e diminuir em 15 minutos o tempo da apresentação. E só. A ficha da coisa toda foi cair quando eu via nos corredores da Unisinos os cartazes e panfletos do Projeto Sintonizando (post abaixo). E a cada dia que se aproximava, meu estado nervoso ficava mais e mais alterado. Terminei o powerpoint (sim, teve até isso) no domingo. Dez slides. Seja o que Deus quiser.
Estava tudo programado para as 19h30. Era 19h30, estava tudo arrumado na hemeroteca, mas ninguém havia chegado, fora alguns amigos de fé. Dez minutos depois a sala lotou! E eu estava mais cagado do que nunca... Principalmente depois que o coordenador do curso de Jornalismo entrou para assistir. Mas é como diz o ditado: se tá na selva, abraça a onça.
E depois que a Déia fez a apresentação do projeto, e me passou a palavra, alguma coisa dentro de mim fez um 'clic', e eu não lembrei de mais nada. A não ser de alguns flashes, que eu relato aqui:
- Boa noite pessoal! Prometo a vocês uma noite inesquecível hoje! (seguido de uns gritinhos, uns oooh's, e uns ui's! da platéia)
- Comunicação é que nem cachaça: faz mal, vicia e a gente gosta cada vez mais.
- Se o teu negócio é ganhar dinheiro, vai fazer Direito ou Medicina.
- (Neste momento o meu amigo Ricardo entrou silenciosamente na sala e se acomodou num cantinho. Mas eu o vi, e interrompi a palestra) DAEEEEEE Ricardo!!! Pessoal, aquele alí é o Ricardo. Ele estuda ciências da computação. No final do evento nós vamos pendurá-lo lá fora pelos calcanhares, e fazê-lo sangrar até morrer. Brincadeira Ricardo!
- O primeiro semestre é sempre terrível pra todo mundo. Principalmente porque tem sempre um na turma que sabe mais que todo mundo, e começa a conversar com o professor de igual pra igual. Isso intimida, pois parece que a gente está sempre um degrau abaixo que todo mundo. É mentira. Não deixem isso abalar vocês. Até porque é só lá pelo 3º semestre que a gente realmente tem noção de que é isso que a gente quer.
- Nem sempre a gente vai trabalhar com o que gosta. Mas tudo é válido. Depois de entrar na faculdade, meu primeiro emprego foi numa clínica médica. E foi bom pra minha profissão porque eu me aproximava das pessoas de uma maneira única. Eu conversava com boa parte dos paciêntes, tentando entender seu mundo. E o que é a nossa profissão, senão entender o mundo das pessoas para devolver a elas em forma de informação?
- Não se esqueçam: um comunicador trabalha com sentimentos. Cito o exemplo do Geração Futura Afiliadas. Mais importante do que as técnicas adquiridas, mais importante do que vivenciar a rotina da Fundação Roberto Marinho e da Globo, foi ter conhecido estas 19 pessoas, que me ensinaram coisas que a gente não aprende em nenhuma universidade. Em duas semanas, nos tornamos amigos de infância. E antes de vir para cá, muitos deles entraram em contato, desejando boa sorte. Pessoal, por mais técnico que tu seja, sem amigos, sem família, sem pessoas como estas, a gente nunca vai pra frente. Um comunicador trabalha com sentimentos, então nunca se esqueçam dos teus.
- Somos contadores de histórias. E como a gente vai contar uma história sem vivê-la? Como vamos escrever sobre o amor, se a gente não ama? Como a gente vai escrever sobre a vida, se não vivemos? Aprendam, conheçam, partam para a aventura sem medos. É vivendo que a gente ganha experiência.
Terminei a apresentação, ouvia o 'clic' de novo, seguido dos aplausos. Todo mundo adorou a apresentação. Disseram que eu falei como um profissional mesmo. Os calouros adoraram porque se identificaram com muitas das coisas que eu falei. Repeti a dose na quinta-feira, pela manhã, com um quorum mais reduzido, mas empolgado também. Missão cumprida, mais um desafio enfrentado.
Agradecimentos para a Andréia, minha RP favorita e que se não fosse ela, o evento não teria acontecido. Aos expositores, que exibiram seus belos trabalhos de fotos e zines no Centro 3. Para a Ane, Mari, Daiani, Ricardo e Liege, que estiveram lá pra dar uma força e que são amigos pra vida toda. Aos amigos do Geração Futura que, mesmo longe, mandaram aquela energia. E ao público que prestigiou, é claro.
E enquanto o mundo (ou ao menos a América) ficava vermelha celebrando a vitória do Internacional, com fogos explodindo lá fora e pessoas desesperadas chorando e comemorando...
... talvez naquele momento eu era o único a lembrar que, naquele dia, fazia 29 anos do desaparecimento do Elvis. Digo desaparecimento porque tem gente que ainda acredita que ele está vivo. Como eu não estava a fim de pensar nisso, coloquei os fones no ouvido e apertei o play. Deu If I Can Dream. Nada mais propício:
No fundo do meu coração há uma pergunta ansiosa
Mas estou certo que a resposta virá de alguma forma
Lá fora no escuro há uma vela acenando
E enquanto eu puder pensar, enquanto eu puder falar
Enquanto eu puder ficar em pé, enquanto eu pude andar,
Enquanto eu puder sonhar, por favor
Deixem meu sonho se tornar realidade.
As pessoas que trabalham com comunicação devem sempre ficar cientes de uma coisa: tudo é possível. E digo que, mesmo sabendo desta premissa, sempre surge algo que me surpreende.
O Grupo Cultural AfroReggae é uma organização não-governamental, criada por moradores das favelas do Rio de Janeiro, para combater a violência e a baixa-estima da comunidade carente. Pois bem, eles estão dando um passeio aqui em Porto Alegre, fazendo alguns shows e participando de palestras. E sabendo que uma delas seria em um lugar próximo de onde trabalho, sugeri que entrevistássemos o coordenador do AfroReggae, José de Oliveira Jr. para o site de um cliente, voltado para empresários, e que fala sobre gestão, economia, lideranças. Usando o argumento de que o cara é uma liderança (de fato, descobri que o World Economic Forum concedeu a ele o título de Jovem Lider para o Futuro) que tem muito a ensinar. Bingo.
Era um almoço-debate com jovens empresários. Geralmente, em eventos como este, terno e gravata são indispensáveis, senão a gente fica um tanto quanto "deslocado". Eu, com meu jeans surrado e blusão, estava assim. Até chegar um cara de boné, jaquetão de nailon e com uma calça tão surrada quanto a minha. Cumprimentou-me rapidamente e tomou seu lugar na mesa. Era o cara. Um jovem negro, que não chegou a concluir o primeiro grau, mas tinha o dom da oratória e da experiência que a vida lhe proporcionou nos guetos cariocas. E que naquele instante colocava-se como mestre perante empresários e lideranças graduados nas melhores faculdades.
Assisti toda a palestra com o bloco e caneta em punho, anotando tópicos importantes para complementar a pauta de perguntas que havia preparado. Ao fim do evento, fui até ele. Conversamos um pouco sobre o filme "Favela Rising", que conta a história de um dos integrantes do AfroReggae. Falei que tinha visto o filme, e que havia conhecido o Anderson Sá (o personagem do filme). O cara abriu um sorrisão - era a hora de começar a gravar.
Tentei não ser redundante nas perguntas. Afinal, o cara deve estar de saco cheio de responder sempre as mesmas perguntas. No meio da minha pauta, havia uma pergunta na qual eu já imagina a resposta. Mas perguntei, na esperança de estar errado. E eu estava certo:
- Recentemente tu ganhaste o título de "Jovem Lider para o Futuro", do WEF. Este reconhecimento trouxe algum benefício para o trabalho que tu exerce?
- Rapaz, eu vou ser sincero contigo... não mudou nada.
Aquele cara rendia uma entrevista de horas e horas. Durante a palestra, notei que mesmo quando contava algum fato engraçado, sua expressão facial, assim como seu tom de voz, não se alterava. Tal peculiaridade foi justificada quando falava sobre uma de suas funções na ONG: negociar com os chefes do morro para cessar a disputa pelo tráfico nos locais onde o AfroReggae realizaria shows, o que exige muita frieza da parte dele.
Terminada a entrevista, nos despedimos e cada um foi para seu canto. Ele, preparar-se para mais um show. Eu, escrever mais uma matéria.
Por isso eu digo: que profissão fantástica a minha, que me permite conhecer de empresários a líderes comunitários. De ouvir histórias fantásticas e depois contá-las para todo mundo!
Jornalismo é isso: a arte de se contar uma boa história.
Rio de Janeiro, fevereiro de 2006. O grupo do Geração Futura Afiliadas havia finalmente se reunido. Ao fim de um dia de aprendizado na Fundação Roberto Marinho, o grupo decidiu conhecer o centro da cidade. E no meio deste passeio, fomos até o Centro Cultural do Banco do Brasil. Subimos para o segundo andar, para ver uma exposição de fotos. Eis que Kika, do Guarujá, Cristiane e Juliane, de Presidente Prudente (com "erre" puxado, por favor) e eu, encontramos uma pequena sala avermelhada, contendo uma bateria, um contrabaixo e uma guitarra, para quem quisesse chegar e fazer ressonar alguns acordes.
Ficamos quase uma hora tocando várias músicas do cancioneiro brasileiro. Janga, do Guarujá, assumiu o contrabaixo. Peeter, o Furacão Catarina, ficou com a guitarra. Um carioca que estava por alí ficou na batera. E eu encarei os vocais. Alguns turistas argentinos e o próprio pessoal da organização do evento apareceram por lá pra conferir a animação.
E foram os próprios organizadores que proibiram o uso de câmeras fotográficas no recinto. Aquele momento histórico estava registrado apenas na lembrança e nos corações que alí estavam.
Mas ninguém contou com a astúcia da linda paraibana Letícia, que mesmo por pouco tempo, registrou uma das minhas tentativas de imitação. Essa merece um troféu. Te amo guria!
A gente só consegue se importar com as pequenas coisas da vida em dois momentos: ou quando elas nos proporcionam momentos de prazer, ou uma irritação profunda. No meu caso, a segunda opção está em evidência.
Havia um tempo em que eu ficava feliz com a alegria das pessoas. Agora não. Sinto um ódio profundo daqueles que, do nada, saem pipocando por aí, dando saltinhos e gritinhos que mais lembram um leitão berrando. E eu, em silêncio, tenho que aturar isso.
Sabe aquela música do filme Closer? Pois é, não suporto. Tanto a versão original quanto a brasileira. Vai ver é por isso que não ví o filme. E nem tenho vontade de vê-lo. E não, não adianta me dizer que o filme é bom, que retrata uma realidade contextual, etc. e etc. Foi assim com Titanic: a mídia encheu o saco vendendo o filme, e eu não vi até hoje. E nem quero. Vejo filme pra me divertir, não para filosofar sobre as mazelas da humanidade.
Da mesma forma, há frases que tenho pavor de escutar:
- Tu é quem sabe.
- Se tu não provar/experimentar/ir, nunca vai saber se é ruim.
- O tempo é curto.
Por favor, pelo bem da minha saúde e da minha sanidade (que já é escassa), evitem as coisas citadas acima perto de mim.
Dormi muito bem naquele dia. Fazia um pouco de frio quando acordei. Levantei da cama, tomei café, e ví o terno pendurado na guarda da cadeira. Enfim, chegou o dia. Fui para a frente do espelho no banheiro. "Deixo ou tiro a barba?" Lembrei do conselho de uma amiga: "Tu fica melhor barbudo. Parece menos 'guri' e mais 'homem' assim". Tão tá. Tomei meu banho, vesti a roupa, e fiquei um tempo tentando decidir qual seria a melhor gravata. Optei pela prata, que combina melhor com a cor preta da camisa.
Nada de estranho até então. Toda vez que tem algum evento importante pela assessoria eu sigo este ritual. Eu me lembro das lições de entrevista do curso da Feplam: quando vamos entrevistar alguém, devemos ficar em pé de igualdade com ele. Se o entrevistado sentir-se superior, ele domina a entrevista. Se a gente fica maior que a fonte, periga ela se acanhar e não responder tudo que queremos. Partindo deste princípio, tento me manter em igualdade com as pessoas que encontro no meio profissional.
Mas naquele dia era diferente.
No serviço, tudo corria tranquilamente. Muitas demandas, que estava tocando tranquilamente. Meus colegas estranharam meu silêncio. "Tudo bem contigo?" Ora, o que poderia estar errado? Não sei, mas eu estava diferente. Nervoso talvez. Era só uma formatura, e nem era a minha. Será que era porque um amigo que eu considero um irmão, e uma amiga que me considera um irmão finalmente alcançaram seus objetivos? Provavelmente sim.
E então os ciclos se fecham. Porque tudo que começa, um dia acaba para começar de novo. A vida é assim. E ela, a vida, também e responsável por grandes surpresas que provocam mudanças em nós. Há alguns dias eu tive várias surpresas, que me fizeram refletir sobre os meus atos.
E então, fiz o que achava certo.
E tirei algo de dentro de mim que me sufocava.
E me senti muito bem por dizer o que sentia.
E me senti muito mal porque quebrei um ciclo.
E ciclos só se rompem uma vez.
Quando dei por mim, estava lá, na terceira fileira do auditório. Para ver o ritual que marca a passagem de estudantes para profissionais da comunicação. Ritual este que está cada dia mais próximo de mim. E de nervoso eu passei para uma alegria muito boa, por saber que duas pessoas muito legais, que fazem parte da minha vida, estavam conquistando seus sonhos. Enquanto um estava branco, a outra estava radiante, como sempre.
E saber que eu também faço parte da vida deles é edificante.
As coisas estão em constante mudança. Eles mudaram de estudantes para jornalistas. Eu mudei também, de uma forma mais profunda.
Com licença, vou alí aproveitar a minha vida e já volto.
P.S.: Zezé, valeu pela companhia, pela festa, pelo trago (mesmo que não tenha conseguido me dar um porre, como planejou), pelas aulas de dança e por me mostrar que ainda tenho sangue nas veias. : )
E em meio a reality shows que tentam criar um ídolo pop para a música nacional, a programas de TV que exploram a tríade axé-pagode-funk, e a adoradores de Chico Buarque, o rock, simples e poético, ainda prevalece. E cada vez mais eu acredito que eu sou de um mundo que não existe, ou nunca existiu. Mas este é o tema do próximo post. Enquanto isso, fiquem com a música que está empregnada na minha alma:
1) Ser presidente do Brasil e acabar com essa bagaça toda de uma vez;
2) Ser milionário o bastante pra comprar a Globo e acabar com 50% da programação;
3) Ter um harém de moças seminuas me adorando.
Até o momento eu tenho 10 pilas no bolso pro almoço, as mulheres mais próximas de mim só me chamam para arrumar seus computadores, e recebi três e-mails com propaganda eleitoral de terceiros.
Estava muito a fim de ver o filme novo do Superman. E sabia que se eu não fosse nesta sexta, eu não iria mais. Mesmo podre de cansado por causa da labuta diária, locomoví este amontoado de músculo, ossos e vísceras ao shopping mais próximo do serviço, mesmo com uma chuva leve atrapalhando.
E havia me esquecido de como eram os shoppings. Acho que meus problemas aos poucos foram tomando o espaço que outrora era do meu senso crítico. Gurias de 14 anos apertando os peitos aparentando serem mulheres de 18 anos, mas agindo como se fossem putas com vários anos de experiência. Mulheres da minha faixa etária, verdadeiros mulherões, ensaiam uma cara esnobe e arrebitam o nariz ao passar pelos simples mortais. Os guris vestem-se como maloqueiros, tentando copiar a modinha - tá, eu não posso criticar a maneira deles de se vestir, até porque a minha não é nenhum primor. Uma guria arrasta a mãe pra perto de uma vitrine e fica babando pelos brinquedos expostos. Ao mesmo tempo, um casal sai da mesma loja com o filho em prantos - deduzo que eles entraram pra dar a famosa "olhadinha", mas o moleque bateu o pé pra tentar garantir mais um carrinho para a coleção, sem sucesso. Este é o mundo cão deste ambiente. Tenho pena de quem trabalha lá e tem que ver os mesmos tipinhos, as mesmas reclamações, os mesmos cheiros, o mesmo, enfim.
O filme começava às sete, e uma fila razoavelmente grande já se formara. Nem deu tempo de comprar uma pipoca. Nem sei se eu iria conseguir segurar o saco direito. Não consigo me coordenar com a pasta atravessada no corpo, ainda mais segurando um guarda-chuva na mão e o inresso na outra. Isso é estranho? Mais estranho era procurar alguém no meio daquele povo que ia ver o filme sozinho, como eu. Peraí, tem uma criatura lá na ponta que parece ser mais nerd do que eu... mas em seguida chega a companhia deste. De fato, eu era o único solitário na fila. Grande bobagem.
Quando estou acompanhado, tento pegar os lugares que ficam mais ao centro, bem acima, onde possa favorecer a visão de ambos. Quando sozinho, fico nas laterais, na cadeira mais próxima do corredor. Desligam as luzes, e uma guria gordinha que mais parecia o diabo da Tasmânia veio me perguntar se tinha gente sentada do meu lado. Pensei em dizer: "Claro que tem! Não está vendo o Ted? Diz oi Ted! Desculpa, ele é tímido". Mas não. Então a gordinha (olha só quem fala), uma amiga e a mãe dela sentaram na fileira. Perto da parede, um casal já começava os... trabalhos.
O filme é muito bom. O diretor tentou desconstruir o herói invencível, transformando ele em alguém perdido num mundo que não é o seu. Bingo. Quantas pessoas no mundo se sentem tão deslocadas, que mais parecem ETs na Terra? Eu mesmo estava me sentindo um dentro daquele shopping. Fora isso, há muitas referências ao cristianismo, como a busca por um salvador, ou algo em que acreditar. E como o Homem do Amanhã pode ser o salvador, sendo que o mundo não acredita mais nele?
E quando o herói não acredita nele mesmo?
Quantas vezes eu já me achei o Super-Homem... Desafiar o impossível, acreditar que consegue tudo, não sentir medo diante do perigo, sentir-se invencível... Ledo engano. Descobrir que a gente é a mais vulnerável das criaturas é um tanto decepcionante. Mas dá pra sobreviver com isso.
A única coisa que me deu vontade depois do cinema era o de sair por aí voando, me perder pelos ares, sem rumo nem hora pra voltar. De repente nem voltava mais. Talvez seja isso que eu precise: me perder um pouco por aí.
É hoje, dia 13 de julho, data mundial do maior e melhor estilo musical e cultural da face da Terra, capaz de botar medo em uma nação e mobilizar o mundo por uma causa nobre. Sim, este é o Rock'n'Roll!!!
Nesta mesma data, em 1985 (eu tinha dois anos!), os músicos Bob Geldof e Midge Ure, com o objetivo de arrecadar fundos em prol dos famintos da Etiópia, realizaram um dos maiores espetáculos de rock, o Live Aid. Os shows foram feitos no Estádio Wembley, em Londres (com uma platéia de 72 mil malucos) e no Estádio JFK na Filadélfia (público aproximado de 90 mil pessoas). Alguns artistas apresentaram-se também em Sydney, Moscou e Japão. Esta foi considerada uma das maiores transmissões em larga escala por satélite e de televisão de todos os tempos, assistido por um bilhão e meio de espectadores ao vivo.
E vou deixar que a Wikipedia diga como surgiu o rock:
"Resumidamente é uma combinação de elementos blues, boogie-woogie, jazz e rhythm and blues. Até os anos 50 era feito predominantemente por negros norte-americanos. Foi necessário criar um novo termo - rock'n'roll - e acrescentar o estilo country'n'western para despistar a sociedade branca e racista. O rock surge em meados de 1954 no sul dos Estados Unidos, quando um cantor branco com possante voz de negro entra num estúdio em Memphis chamado Sun Records para gravar acompanhado de um baixo, bateria e guitarra, que até hoje é a formação básica de uma banda de rock. O cantor era Elvis Presley e "That´s Alright, Mama" foi uma das músicas gravadas. Reza a lenda que alguém do estúdio perguntou com quem que Elvis se parecia e ele respondeu que não se parecia com ninguém. Outros elegem Chuck Berry ou até Bill Haley & His Comets como os inventores do rock. Mas isso não é provado, nunca saberemos quem foi a primeira banda de rock. A única certeza é que Elvis popularizou o rock e o tornou mais sexy, Bill Haley & His Comets foram uma das primeiras bandas de rock e Chuck Berry foi a base para todos os grandes guitarristas. Outros nomes importantes: B.B. King, Jerry Lee Lewis e Little Richard".
E isso aqui é só pra dar um gostinho:
Senhoras e senhores, longa vida ao rock'n'roll!!!
P.S.: Pra quem quiser ver "o cara" cantando o primeiro rock da história, favor clicar aqui.
É domingo, perto da meia noite. Provavelmente nesta segunda, meus colegas da assessoria, da Unisinos e outros similares me abordarão para perguntar: "Você viu que o Bussunda morreu?" Sempre quando morre algum ícone do humor no Brasil, alguém me pergunta se eu ví, o que eu acho, etecéteras e mais etecéteras.
Há uma frase-feita muito comum entre atores e atrizes: fazer comédia é mais difícil que fazer drama. Na Grécia antiga, berço do teatro, a Tragédia era considerada uma arte nobre, enquanto a Comédia era feita para a classe baixa, com poucos recursos cenográficos - uma vez que o investimento era todo da "arte nobre". Na época do Renascimento, rir era considerado uma transgressão digna de pecado mortal. O que significa que desde tempos áureos já existiam os engraçadinhos, e também aqueles sem nenhum pingo de senso de humor.
Hoje o riso é quase uma necessidade. Rimos dos nossos problemas, de nós mesmos, dos amigos, do cotidiano... Rimos para amenizar um dia de trabalho chato, para descontrair o ambiente, para alegrar aquela pessoa que está triste seja qual for o motivo. Rimos quando damos a volta por cima, quqndo queremos compartilhar uma alegria com as pessoas que amamos. Rir é vida.
Por isso, peço aos leitores deste blog que vejam o impacto que a morte de um humorista tem na mídia. Não importa o veículo onde ele trabalha, todas as emissoras, sem excessão, rendem suas homenagens, dão destaques enormes nas suas editorias, páginas inteiras nos jornais. Porque fazer humor, meus amigos, por mais que alguns ainda duvidem, é coisa séria. Muito séria.